Monthly Archives: Abril 2012

A TDT é nossa amiga!

Dia 26 de Abril de 2012 houve uma nova revolução, desta feita não foi com cravos mas com cabos, antenas e uns aparelhos que têm tanto de uteis como eu precisar de um guarda chuva num dia de sol.

Neste dia foi dada a palavra passe para o inicio da revolução “TDT” e tudo ficou em silencio, escuro como se a vida tivesse parado, não se via viva alma, receando que tivesse chegado um novo dia D ainda lhe dei uma tapadinhas de lado a ver se a coisa se compunha mas afinal não era nada disso apenas tinha chegado o dia do blackout da TV Analógica.

Então “bota lá” caixa milagrosa para a nova TV em sinal digital que vai trazer melhor qualidade à revolução …. quer dizer à televisão, eu queria dizer televisão, liga cabo A a Porta B, Cabo B a Porta A carrega no botão e nada o silencio continuou como se a vida tivesse parado, mais uns tapinhas de lado a ver se a coisa vai lá com um empurrãozinho mas nem assim afinal a caixa mágica não funciona sem uma antena mágica, daquelas que se tem que ir colocar no telhado como dantes era necessário para o tempo da TV Analógica fiquei desiludido eu queria tanto ver a revolução … a televisão eu queria dizer a televisão.

Como nem uma parede pára um homem quando esta se entrepõem entre o seu objectivo, como é o caso de ver a revolução….. a televisão raios eu queria dizer a televisão, embora lá telefonar para o Ricardo Araújo para ele me mandar aquela Fibra, aquela que é a original e que pelos vistos a não original veio dizer que também era original e obrigaram a original a parar de dizer que era original.

O Ricardo Araújo não estava naquele momento e atendeu-me uma menina simpática que prontamente se disponibilizou para substituir o Ricardo Araújo e me mandar a tal fibra que permitiria que eu não precisasse da caixa mágica e evitar ter que ir para o telhado de casa pendurar um estendal …. quer dizer uma antena mágica para que o aparelho mágico funcione.

A menina era simpática mas não fazia magia porque não conseguiu mandar a Fibra e isto tudo porque após muita insistência dado que a rua de baixo tem Fibra a rua de cima tem Fibra a rua do lado tem Fibra e acho que até a localidade toda tem Fibra lá veio a explicação mágica … a minha rua não tem Fibra porque só tem casas e pelos vistos poucas e que não pedem Fibra pedem a outra Fibra e não têm prédios logo não existem pedidos de Fibra que justifiquem colocar a Fibra na minha rua.

Fiquei completamente sem Fibra para responder à menina, ela até era simpática, mas não tinha Fibra, para a minha rua.

Isto tudo para dizer que a TDT é nossa amiga, agora que tenho uma revolução … quer dizer televisão, sem sinal analógico nem digital porque não tenho estendal … quero dizer antena mágica onde ligar a caixa mágica vou ter mais tempo para ler livros, ver publicidade na internet, e acima de tudo vou poder ir dormir mais cedo sem ver o programa de musica portuguesa as 4h da manha que dá na RTP2, sim porque dantes dava o Euronews em mode replay que diga-se de passagem era bem “fixe”.

Assim em conclusão a TDT é nossa amiga.

PS1: A menina era mesmo simpática e ficou com imensa pena de não me poder trazer a Fibra mas disse que ia falar com o Ricardo Araújo.

PS2: Por acaso não existe ai nenhum construtor civil que queira vir construir um mega prédio na minha rua?

Com as etiquetas , , , , ,

Abril revisitado

Como é da praxe, “comemorámos” mais um ano sobre o aniversário do 25 de  Abril. Manda a tradição que esta festividade seja assinalada com promessas de renovar os “valores de Abril”, e, de acordo com as circunstâncias e o autor, assinalar o que actualmente corre menos bem, a necessidade de recuperar o espírito da coisa ou afirmar que está tudo bem e/ou que há que ter esperança no futuro.

25 de Abril, 38 anos volvidos…

Se actualmente perguntarmos aos intérpretes da revolução o que ela foi teremos respostas diferentes,  não somente de acordo com as suas ideologias pessoais, mas também de acordo com os papeis que assumiram na sequência do mesmo. E, face a tais circunstâncias, tomo a liberdade de fazer a minha interpretação da coisa (2).

Observando as revoluções portuguesas, parece óbvio que estas ocorrem quando os regimes estão a cair de podre.  Aliás, diria que bastam umas 100 pessoas unidas e com o mesmo objectivo para que em qualquer altura se faça uma revolução em Portugal. Em contrapartida, arranjar 100 pessoas em Portugal com o mesmo fim e sem quintas é que será a verdadeira hercúlea tarefa. A partir das cinco pessoas começarão os problemas.

Assim sendo, o 25 de Abril ocorreu no contexto habitual das revoluções em Portugal. E, honra lhe seja feita, foi profundamente portuguesa nas suas diferentes vertentes.

Terá começado como sendo uma contestação salarial dos militares, num panorama de um país cuja filosofia e regime estavam esgotados face à evolução da humanidade.

Foi um evento marcado pela falta de um projecto nacional alternativo – não existia uma concepção de nação subjacente (como actualmente continuará a não existir – e uma pobreza franciscana em termos intelectuais da maioria dos interpretes. Mas também foram tempos de uma inocência e pureza que mesmo os doutrinados corrompidos não apagaram.

A revolução não foi planeada – haverá alguma que o será? – foi uma sequência de eventos e correntes, com muito desenrascanço à mistura. Olhar para os filmes da época é enternecedor e, ao mesmo tempo, anedótico.

http://www.youtube.com/watch?v=IqU8GRb8VNU&feature=related

Democracia, Paz, pão e liberdade..?

Pedindo desde já desculpa aos puristas, quase que  roubo uma frase partidária como ideologia do povo de Abril. Não coopto a dos ideólogos comunistas pelo simples facto de nunca terem sido parte das bases da revolução.

Abril, 25, trouxe-nos ou formalizou-nos, algo de precioso – a liberdade de podermos nos exprimir livremente – bem como maior justiça social e, claro está, o actual processo democrático e a actual patidocracia vigente. Não eliminou o corportivismo existente (pelo contrário, ficaram sem controlo), entre outras coisas que não fez. Essa tarefa caberia à democracia portuguesa.

Também libertou um certo “opinionismo egualitário” na sociedade portuguesa, e, por alguma razão é conhecido como o “rebentar do esgoto”.

Concluindo uma discussão que muito longa seria, sem Abril não estaríamos aqui. E a obra ultrapassou, de longe, a maioria dos artistas.

Abril hoje

Sendo curto e conciso, passaram 38 anos. Os desafios e problemas actuais são diferentes dos da “geração de Abril” (e em grande parte por esta directamente causados).

As comemorações de Abril entronizaram-se, tornando-se numa espécie de comemoração ritualística que originam anualmente uma breve discussão sobre os “valores de Abril”.

Mas a “Brigada do reumático” continua a aparecer –  com novos (velhos) protagonistas. E com a pobreza ou falta de honestidade intelectual de origem, em nada mitigada – bem pelo contrário – pelo passar do tempo e corrupção do poder. E pela desadequação dos tempos modernos. Continua a impunidade gerada pela falta de memória ou pela falta de coragem.

Como “novidade” recente, temos uma opressão – que de nova e inesperada pouco tem – e cuja face visível é o “mão austera” da Troika. Mas esta é uma mera consequência dos motivos internos subjacentes. E, apesar da “eleição” para o título de maior dos portugueses, sempre prefiro a Troika à volta de uma nova versão do Dr. Salazar.

O futuro: crónica de uma morte anunciada, os valores e desafios de sempre

“Abril” caminha para o mesmo destino temporal dos restantes eventos da humanidade – primeiro a irrelevancia e depois o esquecimento. Esta “aventura” terá sido bem mais bem sucedida que a anterior primeira república, embora sinistramente similar em termos de evolução: ruptura com o regime anterior, celebração e ascensão dos partidos,  corrupção dos votantes, falência do Estado e ditadura sobre a “vontade o povo”. Mas desconfio que a diferença deve-se mais a evoluções externas  que a maiores virtudes internas.

Mas os valores de Abril, que livremente mas não imaginativamente, interpreto como liberdade, igualdade e fraternidade – e, acima de todos, pão – e que precedem Abril, continuarão a existir e a ser importantes. E é bom que as pessoas, nomeadamente os políticos, não se esqueçam disso.

E tenho esperança que os portugueses se lembrem, quer dos motivos e valores que levaram   à necessidade e importância de Abril, quer dos motivos que levaram à sua actual “queda”.

O preço da liberdade é a eterna vigilância.

A Paz, o Pão, Habitação, Saúde, Educação

Durante o Dia da Liberdade, um amigo meu teve a ideia de publicar no seu perfil do Facebook algumas músicas consideradas chave para o imaginário deste período, desde José Barata Moura até Sérgio Godinho. Estas músicas, a maioria com mais de trinta anos, têm recuperado, se não mesmo mantido, a sua atualidade, derivado da desilusão das promessas e esperanças de Abril e da entrada no anteriormente seleto clube da União Europeia.

Não vou cair no politicamente correto, pelo que admito que a mensagem destas músicas deveria ter servido de aviso e plasma o quotidiano nacional, ou pelo menos o que geralmente se opina e perspectiva acerca do país, dos pontos de vista económico, político, social, cultural e das mentalidades.

O grande capital está vivo em Portugal e obriga-nos a pagar cara a eletricidade, os combustíveis, e os juros que demonstram que o dinheiro tem mais valor que a dignidade humana.

Há uma instrumentalização do poder político, por parte do poder económico com base num programa ideológico que menospreza os valores ligados aos direitos sociais.

Nem a demagogia nem a aceitação de que “governar” a favor de quem detém as mais-valias são óbice para que o discurso oficial distorça a realidade e os conceitos de liberdade e democracia.

Verifica-se a depreciação da Sociedade Civil por parte do Estado, que não parece conhecer conceitos como Relações Públicas e Marketing social, em vez de utilizar estas organizações populares como barómetros das áreas em que é preciso actuar (e descobrir qual é a missão do Estado). Fica a sensação que apenas as organizações que não têm origem nos estratos populares é que são tratadas como entidades de direito.

A Liberdade a sério somente existirá quando houver liberdade para mudar e decidir. Mas quem tem a vida parada, quem está à espera para poder alcançar, com qualidade, a paz, pão, habitação, saúde, educação, verifica um futuro envolto em neblina escura. A paz social é atacada pelas restrições induzidas pela austeridade e por certa repressão advinda do discurso policial, em que o cidadão passa a ser desordeiro por fazer valer o direito à indignação. O Pão passa a ser sinónimo da caridadezinha e de marketing, em que campanhas como o ”Zero Desperdício”, tal como afirma José Vitor Malheiros, indicia uma roupagem ideológica que evita falar da fome e do combate à pobreza, alinhando em alternativa com conceitos de produtividade e competitividade, pelo “combate ao desperdício”. A Habitação, a posse de um Lar como símbolo do esforço do trabalho, está a desaparecer, pela mão de bancos, pelos juros, pelo desemprego, e pelas exorbitantes taxas e impostos que se pagam (IMI, anyone?). Prédios e ruas inteiras com placas de imobiliárias. São milhares de casas vazias, enquanto cada vez mais pessoas dormem na rua, ou se acomodam com três ou mais gerações em casas que não têm condições para tantos. A Saúde, tal como a Segurança social, estão a ser encerradas, desmanteladas, em favor de privados que não servem as necessidades da maioria da população, que não tem acesso a ADSE ou seguros de saúde. Ir (sobre/sub?)vivendo com pior qualidade de vida traz certamente poupanças a longo prazo à segurança social, poupanças essas que poderão ser canalizadas para as pensões milionárias já sobejamente conhecidas. A Educação vai sendo entregue aos privados, com a desculpa da fraca eficiência e eficácia do ensino público. A fraca eficiência e eficácia são fruto da instabilidade que existe pelo menos desde meados da década de 80, em que cada reforma da educação conseguiu erodir o respeito pelo professor e o valor da escola como ambiente de acesso à cultura e a ferramentas de ascensão social. Resulta somente na aplicação de teorias educativas como se se estivesse a trabalhar com tubos de ensaio e não com as gerações futuras. Parece-me que o objectivo era transformar a escola pública num pólo de desenvolvimento de gerações de pessoas obtusas, sem pensamento independente e que obedecessem cegamente e de forma barata ao empregador, deixando aos privados a missão da reprodução de valor acrescentado na educação. Aliás, quando os patrões da economia (falar em patrões da Indústria em Portugal ainda me soa risível) dizem que os estudantes, mesmo os do superior, saem mal preparados e que gastam muito tempo a formá-los, deveriam solicitar a abertura de licenciaturas e outros cursos específicos para a sua empresa.

No fundo, a liberdade e a democracia têm que ser conquistadas todos os dias, e não devemos limitar-nos a sonhar, porque o que era seguro para a geração de à quase quarenta anos atrás já não o é para os seus filhos e netos. Ideologias à parte, devem-se educar os futuros cidadãos para saberem melhor dirigir e orientar-se para que a sociedade possa atingir o bem comum.

Com as etiquetas , , , , , ,

Um cravo para Abril

Escrevo este texto a seguir ao dia 25 de Abril e dou por mim a matutar na real importância da data. Não me entendam mal, eu sei qual é a sua importância histórica, política, económica e social. O que eu me questiono é se este significado continua presente no pensamento da população e se, para esta no seu todo, continua a ter o mesmo significado.

Para mim, Abril significa a vitória da liberdade em todas as suas vertentes. Abril significa a luta que nos possibilitou chegar até aqui, desfrutando da possibilidade de escolhermos o nosso próprio destino e o nosso caminho. Paradoxalmente, Abril permitiu que cada vez mais pessoas possam escolher entre ele e o seu contrário, numa completa desilusão com tudo que Abril nos trouxe. O que Abril não nos trouxe, foi a capacidade de pensarmos mais além, de nos superarmos e tentarmos mudar o mundo à nossa volta. Abril deixou-nos acomodados, gordos e incapazes de reagirmos! Abril não é cravo na lapela. Abril é um sentimento que se leva no coração.

Todos os que falam defendem o seu Abril. Defendem a sua noção daquilo que foi para si a data, da forma como isso os marcou e daquilo que consideram ser a sua importância. Falam por todos, pois estão convencidos que a sua versão de Abril é a verdadeira, a única possível. E no entanto, Abril foi tantas coisas, tantas versões, tantas verdades…

Hoje, chegados aqui, enfrentamos a derradeira prova de Abril… O TEMPO. Será possível manter Abril vivo? Pois ele só vive enquanto a nossa vontade de sermos verdadeiramente livres perdurar. Esta será a nossa luta diária, manter o cravo vivo, naquilo em que ele é mais belo… A sua essência.

Um abraço a todos.

Dia da Liberdade!

No dia em que se comemora 38 anos de liberdade, um documentário que retrata os 100 anos de poder económico em Portugal que nos trouxe até ao dia de hoje.

Realizado por Jorge Costa