Do 1 emprego á reforma

No Jornal Expresso desta semana no suplemento de Emprego vem um artigo da autoria da Cátia Mateus com o titulo “Como as empresas produzem talento à sua medida” e no texto fala-se sobre as estratégias que empresas nacionais têm desenvolvido para capturar talentos à ”boca” das Universidades de forma a conseguirem angariar os jovens mais brilhantes nas suas áreas de formação trazendo assim mais-valias e “sangue novo” para essas empresas.

A forma descrita no artigo de modelos de recrutamento usados por empresas como Jerónimo Martins, Sonae, PT, Galp. Microsoft, EDP, REN, Logica, Novabase, são realmente modelos bastante funcionais e que permitem dar aos jovens académicos uma oportunidade de mostrar o que realmente valem podendo assim conseguir uma posição numa empresa que lhes permita iniciar a sua carreira profissional. Pelos números apresentados de captação de jovens para essas empresas, é um número muito positivo que ajudará certamente a combater as estatísticas de desemprego entre as camadas mais jovens e certamente não serão com caracter precário.

Ao ler o artigo com um sentido muito positivo não pude deixar de no fim me perguntar a mim mesmo, mas então se estas empresas colocam no mercado de trabalho este numero de jovens todos os anos, por exemplo a Novabase refere que colocou este ano 83 novos colaboradores, temos perante nós duas potenciais realidades, ou as empresas realmente estão a ter um crescimento o que é óptimo nestes “denominados” tempos de crise ou se estão a criar vagas â custa da dispensa de “colaboradores/funcionários”, o termo depende da filosofia de cada empresa, em que a faixa etária é mais elevada e a caminhar para a reforma, que por este andar nunca vai acontecer dado o +1 no numero de anos da reforma, esses não novos talentos estarão eles a ser dispensados antecipadamente, ou compulsivamente?

Esta afirmação obviamente tem a falha de não ter feito uma pesquisa séria sobre o assunto porque, e como a resposta à minha própria pergunta, certamente empresas como as referidas no artigo têm e terão uma sensibilidade/obrigatoriedade social que lhes refreie o ímpeto de buscar novos talentos á custa da dispensa de “velhos” talentos, mas a questão ficou-me, principalmente quando se ouve e se vê o aumento das taxas de desemprego recordes que temos tido nos últimos meses e que as políticas de austeridade não parecem ter solução a curto prazo para o mesmo.

Fiquei contente com o artigo porque realmente se consegue ver iniciativas concretas no emprego das camadas jovens mas ao mesmo tempo receoso sobre o efeito das políticas sociais relativamente a extensão da idade da reforma, sobre o pretexto do aumento de esperança de vida que mais não é que uma desculpa para devolver aquilo que as pessoas pagaram, mas que levanta a questão de que as empresas terão capacidade de absorção de tão grande número de jovens sem que para isso se tenham que se libertar das camadas mais seniores.

Não tendo nada a ver com o conteudo do topico mas não posso deixar de referir que hoje é o Dia da Terra 2012/Earth Day 2012 .

Feliz Dia da Terra para todos.

JV

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2 thoughts on “Do 1 emprego á reforma

  1. ruibrandao diz:

    O conjunto de empresas referido tem implícito modelos de negócio a nível de RH (sim, isso existe:)) completamente distinto. Uma consultora operacional tipicamente contrata com base em “churn, burn – up or out”. O que essencialmente significa que os novos colaboradores entram com salários horários efectivos miseráveis (bem abaixo do SMN), com a promessa de um progressão fulgurante. O que é verdade…para os que ficarem. Os que não provarem o seu “valor”, saem da empresa. A consultoria é um negócio muito especial, com elevadas rotações. Segundo me disseram (atenção que a fonte pode não estar muito correcta) a CMS Lógica terá “despachado” umas 200 pessoas no último ano.
    Uma EDP ou REN tipicamente contrata muito menos, mas a rotação é muito mais baixa (e as condições melhores), sendo que a saída dos “mais velhos” tipicamente é para reforma, nas suas diversas formas. Resta saber por quanto tempo.

  2. LNeves diz:

    O problema é que cada vez mais, empresas vão buscar o tal “sangue novo” a custo “0”. Está muito na “moda” os chamados “workshops”, onde a exigência para com os “voluntários” é elevada, prometendo-lhes mundos e fundos, e passado o tempo do workshop, voltam à estaca 0, mandando-os embora.

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