A cegueira dos ensaios de economia

Assume-se que todos os economistas ou econometristas são materialistas dialéticos na medida em que estruturam a sociedade em dois níveis:
A infraestrutura, base fundamental da economia, e é determinante.
A super-estrutura, político-ideológica:
– Estrutura jurídico-política, representada pelo Estado e pelo direito.
– Estrutura ideológica, relativa a elementos de consciência social, tais como a religião, a educação, a filosofia, a ciência, a arte, as leis.
Este primado da economia, que coloca o ser humano, indívidual e gregário, em segundo plano, transformou a ciência económica, um campo do saber nascido das ciências humanas e sociais, numa teorização econométrica, mais ligada à matemática, álgebra, cálculo e às ciências exactas em geral.
No entanto, estamos perante uma falácia, uma pseudo-ciência, na medida em que os modelos teóricos construídos não têm aplicação nem são passíveis de serem validados na realidade.
Parafraseando Popper na sua crítica ao materialismo dialético, a economia tornou-se agora em algo especulativo e mesmo metafísico, na medida que os seus apologistas tentam impor medidas com base nas suas teorias, sem que exista qualquer experiência que comprove essas mesmas teorias. Sem experiência, sem evidência, limitam-se a exercícios de retórica e dissertações apoiados por cálculos, como se estivéssemos num universo mecanicista e determinista, em que cada facto produz sempre a mesma reação.
Em vez de analisarem a realidade, mesmo após consistentes provas de que o modelo que defendem não produz os efeitos desejados, insistem por teimosia ou cegueira em diminuir valor aos factos que não lhes interessam. De igual modo, subvertem a leitura dos dados emitidos pela realidade, face às medidas  que implementam.
Assim, de ciência para metafísica, e de metafísica para religião, os crentes neste primado da economia, tentam destruir os santuários em que se constituíram os outros aspectos da Sociedade e do Homem.
O que é importante aqui é libertarmo-nos deste fundamentalismo que torna o desenvolvimento económico mais importante que o desenvolvimento social e humano.

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