Interrogações

Ao contrário de Januário Torgal, não me surpreendem as chocantes palavras do Primeiro-ministro. No entanto concordo com a afirmação de que este governo trata o povo português como um “povo amestrado” que “devia estar no Jardim Zoológico”.
Se a “auto-estima e autoconfiança” for, facto, “ganha à medida que os resultados vão aparecendo”, estamos, desculpem a expressão, tramados. Basta ver os resultados que a religião do cientísmo  do Governo e da Troika que segue o New Consensus MacroEconomics, e sobre o qual João Galamba se debruçou no seu artigo Capitalismo Científico.
Desemprego, falências, austeridade, projectos de vida perdidos, depressão, indignação, revolta: tudo isto é convertido em números e variáveis encaixados em cálculos que têm que demonstrar estar corretos perante as teorias. NUNCA A TEORIA PODERIA ESTAR ERRADA. Sábios que, enquanto limpam os óculos para poderem ver melhor, não percepcionam a realidade. Quantos destes mitos científicos podiam ser desmontados, tal como se desmontou o Criacionismo? Quantas constantes e variáveis eles “se esquecem” de apreender ou interpretar? Vejamos o amanhã que nos venderam ontem com a “terceira vaga”: Mais tempo, é certo, mas por más causas (desemprego), e sem rendimentos, como esperam que consumamos, enfim, que funcione o capitalismo? Estará a Europa na vanguarda do Pós-capitalismo, agora que os países ditos em desenvolvimento estão a atingir o lugar de potências económicas (embora com base em estratégias não-liberais nem globalizadoras)?  Enquanto a classe média definha, assim como os valores da democracia são ridicularizados, os poderes nada transparentes, porque não eleitos, das tecnocracias, corporações profissionais e empresariais internacionais vão ditando as regras dos amanhãs (distópicos) que se levantam.
Diz o mesmo primeiro-ministro que vai “Limpar a casa”. Que medidas populistas estarão agora prontas a serem apresentadas, agora que o seu discurso aponta para os seus “resultados” das medidas tomadas por ele, numa óptica eleitoralista? Para já é fácil abafar as críticas internas e externas: na óptica do Pão e Circo, o Euro futebol e os Jogos Olímpicos vão preencher os ouvidos, quer se queira ou não. É até a altura ideal para puxar mais uns tapetes à sociedade, aos cidadãos portugueses. Com este descentrar das reais preocupações, com este gastos excessívos (compare-se o preço da estadia das várias seleções e veja que a seleção esbanja dinheiro que o Governo diz não ter para outras actividades desportivas, para apoio à juventude, para outras áreas da sociedade).
Depois deste Verão, será que veremos as PPP renegociadas a favor do Estado, a favor dos cidadãos e não das empresas?
Será que será aprovada e posta em ação legislação que permita anular este tipo de “contrato”, quando não é feito de boa fé para o bem do país, nem cumpre os requisitos definidos pelo Tribunal de Contas?
Será que serão dados mais poderes e mais meios para a actuação deste Tribunal?
Será que haverá autonomia das Entidades Reguladoras para acabar com monopólios e a concertação de preços?
Será que as Secretas serão redesenhadas, de forma a que não haja devassa da vida privada?
Será que, em nome da transparência, os governantes (como Relvas, Mota, etc.) e outros actores políticos com conflito de interesses (Borges) renunciam ou são afastados dos cargos?
Será que se criará um Tribunal sobre a Transparência e o conflito/declaração de interesses, com meios e poderes?
Será que o Mamute do MAMAOT e a Sec-Estado da Cultura vão ter dinheiro para pagar as indemnizações do cancelamento das obras que estão a destruir o Património Mundial que é o Douro Vinhateiro?
Será que se executarão medidas que protejam a liberdade de expressão, não só dos jornalistas, mas de quem, no âmbito do direito à indignação, se queira manifestar, sem receio de tiques típicos de Estados Policiais, que usam de violência e desinformação para manter sob vigilância e controlo quem não concorda com a Visão Oficial? Talvez quem apela ao silêncio, como o Reitor da Univ do Porto, deva ter aulas de psicologia, para tentar perceber que quem oculta a verdade, omitindo-a, é mentiroso, mesmo que chame a isso Gestão de Imagem e/ou Marketing. Suponho que o melhor Marketing e imagem que se pode dar de qualquer “produto” seja a verdade, pelo que deve sempre investir no melhoramento do mesmo. Neste caso no melhoramento do país, das instituições do Estado, da sociedade, dos cidadãos.

Aqui ficam estas interrogações, no meio de tantas outras, à espera de resposta nesta silly season!

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