Monthly Archives: Julho 2012

Venalidade com bolos só pode dar numa coisa

 

No decurso de um biscate que tenho feito, vou descobrindo coisas interessantes acerca da administração na França pré-revolucionária e verifico algumas semelhanças com o sistema político português actual.

Pode ter piada o facto de vermos que um Duque e Par de França pagar para ter o cargo de…porteiro! Mas se naquela altura, os cargos públicos eram
-alugados
-comprados
-arrematados em leilão,
-acumulados na mesma pessoa
-passados de pai para filho
-sem controlo de abusos
-sem verificação das reais capacidades e competências dos “proprietários dos cargos” (expressão utilizada naquele tempo)
Bastou assim a falta de liquidez, a crise económica e a fome, para espoletar uma revolta num país que era o farol da civilização ocidental. E essa revolta incendiou todo o país e levou à Revolução, porque, apesar do que a Marie Antoinette propunha, não havia bolo que chegasse para todos.
Quando
-os boys são integrados no aparelho de estado, via despacho publicado no Diário da República,
-um ministro escolhe, ou influencia a escolha, de uma empresa com a qual tem relações de amizade
– quando os lobistas a soldo das empresas e agências comerciais, são designados para cargos e tomadas de decisão, num quadro de amplo conflito de interesse entre o público, o Estado e os cidadão, e os interesses dessas empresas
-quando curiosamente  o genro do presidente se torna proprietário de um equipamento que, “por ser rentável, não podia ser público”, e que fez parte de um projecto por ele aprovado enquanto chefe de Governo
-quem, nesse âmbito, faz a avaliação das declarações de interesses dos políticos eleitos (e também o Vitalino Canas), diz não haver qualquer conflito entre ser político decisor ou legislador e, ao mesmo tempo, trabalhar em empresas com claros interesses que não favorecem o bem comum, referindo que os padrões morais dessas pessoas não permitem qualquer decisão que entre em conflito com o interesse público.
– esses mesmos avaliadores, inversamente ao referido anteriormente, consideram existir um conflito de interesses quando uma deputada é professora do ensino secundário público
– se diz, numa estratégia de diabolização, que os funcionários públicos têm salários mais altos, mas quando na verdade os dirigentes dessa administração pública recebem uma ínfima parte do que recebem os detentores de cargos equivalentes no sector privado
-os “estadistas” portugueses, a troco, de “emprego futuro”, ou mesmo luvas,  facilitam projectos de empresas, redesenhando a legislação, etc. quando tal não contribui para o bem comum, podendo ser mesmo prejudicial ao país (barragens e Património da UNESCO, anyone?)
– os “preguiçosos e relaxados” que vivem à custa de “farto dinheiro” RSI e fundo de desemprego são obrigados a terem a vida privada devassada, a não terem sigilo bancário, a fazerem prova de que são doentes e pobres e,  finalmente, trabalharem de graça
 -as grandes empresas, escolas, hospitais, fundações, Lares e bancos privados que recebem milhões de Euros de subsídios, pagos com os nossos impostos, fogem à investigação  e não são obrigados à transparência, a prestar contas e apoiarem o bem comum.
– se pregam falsos moralismo por quem nunca trabalhou a sério na vida e ascendeu como boy ou afilhado,
– o poder central vai abandonando o interior e desaparecendo do país real, desistindo das populações que não vivem perto do vortéx da capital, encerrando tribunais, escolas, centros de saúde, esquadras
-se considera que a Constituição ou os acórdãos emanados do Tribunal Constitucional constituem problemas para o país,
– se considera que as eleições se podem lixar, porque importa salvar o país, mesmo que isso signifique lixar os eleitores, os cidadãos que votem ( e o que é o país senão os cidadãos?) ( e caro Vasco Pulido Valente, o seu “coelho” vai cair porque o PSD, desde que deixou de ser SD, (assim como qualquer partido do Bloco Central  e do Arco da Governação) nunca deixou de ser uma federação de câmaras ou agências de lobby locais que escolhem um boy em holocausto para os presidir e os levar ao governo. E toda a gente sabe como acabam os Holocaustos.)
… o país perde em Democracia, Igualdade, Transparência, e deixa de ser um verdadeiro Estado de Direito sem poderes descricionários.
Foram sendo implementadas medidas desde a nossa entrada na CEE, à força e sem ter em conta as especificidades portuguesas, como se se quisesse apagar o país real e criar algo artificial mas sem cabimento na mentalidade colectiva. Tudo fruto de “Uma visão para o futuro”. Agora o resultado está à vista. Tal como a França Absolutista,  sem luz ao fundo do túnel, estão criadas as condições para uma revolta, porque este modelo está gasto o bolo não está a ser condignamente repartido.
A menos que tenham conseguido apagar o país real, ou atenuá-lo com futebol, telenovelas (e daqui a pouco tudo isto será em canal fechado), espera-se uma Revolução.
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Questões de Teologia

Questões de Teologia

Durante a entrevista de João Salgueiro http://www.rtp.pt/programa/tv/p26919/c88152 no programa Hoje da RTP2, da passada quarta-feira, o antigo presidente da Associação de Bancos Portugueses, afirmou que a culpa da crise não foi dos bancos, mas das pessoas,  das famílias e do Estado , que se endividaram excessivamente. O facto dos bancos publicitarem, oferecerem e até assediarem clientes para pedirem dinheiro a crédito, criando facilidades para quem, em muitos casos, não tinham activos que garantissem o pagamento da dívida.
Se transpusermos esta situação para o campo da religião, colocaríamos os bancos a fazerem de diabos ou demónios que tentam os crentes com formas de obter facilmente o que de outra forma seria demorado ou mesmo impossível no decurso de uma vida. De quem seria a culpa de estes caírem em tentação? Dos que foram atazanados e enganados pelas ilusões? Ou dos demónios?
 
E a quem deve o governo respeito na Santíssima Trindade constituída pela Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu, agora existem diferendos teológicos (daqueles da religião economológica e neo liberal do capitalismo científico/cientológico)
 
Que tipo de exegese se pode fazer das Sagradas Escrituras emanadas do Templo dos juízes constitucionais, sem que seja considerada heresia. Parecem diatribes entre os escritos do Antigo e do Novo Testamento. E no fim, sacrificam-se os mesmos e safam-se os outros.
 
Certos profetas-teólogos pregam uma ortodoxia, mas não mostram as heresias e os pecados que cometem. Ora pregam no FMI, ora pecam na Goldman-Sachs, ora pregam no governo, ora pecam em nome da Soares dos Santos. O último modus operandi da falta de transparência e do descarado conflito de interesses em 5 actos:
1) A TROIKA sugere no “memorandum” a VENDA do Negócio da SAÚDE da CGD;
2) O Governo nomeia António Borges para CONSULTOR para as VENDAS dos negócios Públicos;
3) A Jerónimo Martins (Grupo Soares dos Santos) CONTRATA o mesmo António Borges para Administrador (mantendo as suas funções de VENDEDOR dos negócios públicos);
4) O Grupo Soares dos Santos (Jerónimo Martins) anuncia a criação de um novo negócio: a SAÚDE (no início DESTA SEMANA);
5) A TROIKA exige a VENDA URGENTE do negócio da SAÚDE da CGD já este mês (notícia de HOJE).
 
Finalmente membros do Clero são mandados calar por virgens ofendidas pela verdade. Espero que o Bispo não caia no erro de se deixar comer pelo Cavalo: é que alguns peões já  fizeram queixas sobre corrupção e foram castigados, enquanto os corruptos continuam em liberdade.

Esplendor na Relva

O Verão trouxe-nos o “caso Relvas”. Ok, aparentemente existem vários, mas foquemo-nos no caso da licenciatura.

E é um caso interessante – não pela questão em si, mas porque trouxe à vista várias tendências e características nacionais bastante… peculiares.

De facto, retiro deste caso algumas ilações:

A hipótese de privatização da RTP é algo que incomoda muita gente – ou pelo menos alguma gente com poder, nomeadamente poder na comunicação social. Naturalmente que perturba funcionários, fornecedores que vivem da “generosidade” da empresa e concorrentes. Esta perturbação será tanto maior quanto a crise instalada no sector.

Quando se fez as novas oportunidades e deu-se equivalência (muitas vezes sem “cadeira” alguma feita) a centenas de milhar de pessoas, não houve grandes protestos. Quando o mesmo se estende a uma licenciatura, aqui del rei que o mundo acaba. Será porque muitas das pessoas “bem pensantes” nacionais terem esse grau, que agora vêm “desvalorizado”? Será porque enquanto se limitava aos “coitadinhos” não havia crise? Será que é por ser uma pessoa que a opinião pública não gosta? Seja porque for, a lógica subjacente é a mesma.

É interessante que não se tenha investigado outros casos de “simpatia” por parte de estruturas académicas para com políticos. Desconfio que não devem faltar casos. E é esta “simpatia excessiva” que é preocupante neste caso – com a suspeita que terá ocorrido um benefício em virtude de postos políticos.

É igualmente interessante que se discuta a pessoa e, muito menos, o processo subjacente, nomeadamente a lei que permitiu esta equivalência

Fizeram-se piadas muito giras – nada para manter vivo um assunto como ele “cair no goto”

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Ser ou não ser Sr. Dr.

O caso Relvas cabalmente explorado por todo o tipo de comunicação social e na blogosfera (como neste caso) tem invadido todos os meios de comunicação nas ultimas semanas.

A forma como o Ministro Miguel Relvas pelos vistos conseguiu a sua licenciatura segundo tudo o que se tem lido realmente não foi das formas mais pedagógicas.

Situação que obviamente levanta descontentamento por quem passou pelo “calvário” pré Bolonha de 5 ou mais anos para tirar uma licenciatura, e quem pelo sistema pós Bolonha garantidamente nunca conseguiu ou conseguirá a proeza de conseguir obter certificação em 90% de um determinado curso baseado em experiencia de vida e profissional.

Além de todos os descontentamentos anteriores não esquecer que actualmente devido a crise financeira que se abateu sobre a maioria das famílias portuguesas existem imensos jovens que estão com imensa dificuldade em terminar os seus cursos por falta de capacidade financeira, obviamente que situações destas não caem bem.

Mas o que me tem deixado mais espantado é que com todo o pé-de-vento que se tem levantado a volta do assunto ainda não vi ninguém a questionar o básico.

Mas o homem afinal tem capacidade para exercer a função que lhe foi atribuída ou não?

Será a questão de a legitimidade da sua licenciatura uma questão fundamental para o exercício das suas funções?

Segundo o Primeiro-ministro independentemente de estar a par potencialmente da forma menos “católica” da obtenção de tal famigerada licenciatura creio que a pessoa terá sido escolhida pelas capacidades e não pelo diploma. Mas compreende-se este assorear a volta do assunto, afinal de contas o jogo de cadeiras no governo, de interesses instalados em grupos económicos e o interesse da oposição em ver um governo fragilizado faz parte deste “mundo” chamado politica.

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O País dos Superhomens

Nietszche foi vingado. É que o Super Homem surgiu. E não é só um. São carradas, paletes deles.

Os superhomens existem, são portugueses e alguns até se chamam Miguel, Rui, Filipe, António, etc.
Não os vou citar nomes, mas os cronicões jornalísticos fazem deles referências nacionais e mesmo internacionais.

Temos um SuperAntónio, cujos superpoderes são nunca ter dúvidas, raramente errar e é a pessoa mais honesta no mundo, exceptuando Cristo e Lázaro (tomando a mitologia cristã, e partindo do princípio que ressuscitar é nascer segunda vez).
Noutro lugar, não ter dúvidas seria algo negativo, porque implica não saber colocar-se na posição de outrem, auscultar as opiniões dos pares e dos adversários, e acima de tudo, estar impossibilitado de verificar se as suas ações poderão prejudicá-lo a si e aos outros no futuro. Mas cá não. Não ter dúvidas significa saber de antemão que o que se faz é pela única via possível e que não se pode voltar atrás. Que é feito dele? A sua criptonite, a falta de rendimentos, sejam financeiros ou de prebendas, têem-no mantido calado e à margem do combate contra os supervilões.

Rui e Filipe são dois super heróis que conseguem transformar o dia-a-dia dos 210,36 Km2 que administram ou governam, separados por um rio de Ouro e coberta de pontes de ferro, betão e futuras, numa guerra épica ao nível da Guerra Civil Americana, Norte e Sul, não se conhecendo porém qual deles o Confederado e o Federal.
Ret Butler ficaria confuso a tentar decidir porquem lutar. Mas tal como Gregos e Troianos, qual Aquiles e Heitor, fazem oferendas às divindades e titãs que pairam sobre Ulissipo, em busca das suas benesses, mas pondo-se em risco de ser alvo da fúria e inveja de outras dividades. Cavalos de Tróia são brinquedos de meninos para estes pesos-pesados, sejam elitistas ou populistas, sulista ou nortenhos, liberais ou popular-democratas do mesmo quadrante político. Enver Osha deve rir-se das peripécias destes dois.

Miguel tem-se revelado o Homem do Renascimento pela sua douta sapiência, confirmada por preciosos pergaminhos que perigam em desaparece. Mas este superhomem é também dotado de ubiquidade. Consegue habitar em duas ou três moradas ao mesmo tempo, mesmo que distem 140Km entre si. Este verdadeiro Humanista (H grande) tem dado grandes conselhos aos seus colegas e mesmo à gerações futuras, mesmo que muitas vezes não as tenha seguido. Tal será devido a uma aprendizagem-erro que lhe permitiu concluir tais mensagens de aviso para com quem ele só quer o bem.

Estes são alguns dos mais conhecidos superhomens. Existem outros mais ou menos anónimos. Alguns usam os superpoderes para o seu bem próprio (egoístas) e outros utilizam-os para ajudar os que os rodeiam (caciques) e outros ainda que usam-nos para ajudar a toda a gente. E finalmente existem muitos que, não tendo superpoderes, têm conseguido funcionar como tal, sobrevivendo e fazendo do país e do Mundo um bocadinho melhor.