Silly Season in every season!

 

– Que na Abertura dos Jogos Olímpicos de Londres se celebre o Serviço Nacional de Saúde, enquanto em Portugal todos os políticos que dizem querer salvá-lo mais parecem estar a desmontá-lo;
– Que o Ministério da Administração Interna sacuda a água do capote no que se refere à falta de resposta nos incêndios?
– Que o Ministério da Agricultura (e mais qualquer coisa) sacuda a água do capote quanto às calamidades que ocorreram derivadas do mau tempo e dos incêndios, mas permite que se plantem eucaliptos à maluca.
– Que o cidadão Normal Passos Coelho tenha umas férias como um cidadão normal, tendo para isso 6 a 8 agentes da polícia para o proteger?
– Que o Secretário de Estado da Cultura possa considerar que a Cultura e o Património sejam negócios?
– Que o Ministério da Educação pague a professores que terão horário zero, quando existirão turmas com o dobro do aconselhado pelas instituições internacionais?
– Que o Governo pague anualmente mais aos bancos do que aos funcionários públicos, e depois diga que a culpa da crise é destes últimos?
– Que os sacrifícios que estamos a fazer, no nosso país, na Europa, e por todo o mundo Ocidental em geral, são para que o “sistema” que nos conduziu até esta situação continue a funcionar?
– Que as pessoas que ganham entre 500 mil a um milhão de euros por ano em Portugal, dizem que os salários em Portugal têm que baixar, que os portugueses têm que pagar mais pela água e energia, e que viveram acima das suas possibilidades, e, por culpa disso, é preciso mais austeridade e pedir mais esforços aos portugueses.
– Que o governo esteja surpreendido por os portugueses não passarem férias em Portugal (nem em lado nenhum), quando achavam que antes iam para o estrangeiro? 
– Que existem trabalhadores que nunca receberam o subsídio de férias e de Natal, mas que as finanças vão descontá-los do rendimento do trabalho?
– Que estou sem inspiração para escrever esta crónica?Imagem

 

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4 thoughts on “Silly Season in every season!

  1. ruibrandao diz:

    Quanto aos funcionários públicos e BPN, nem sequer é o Cavaco – como ex funcionário do BdP – que tem muito a ver com o assunto (o dele é de outro cariz). Mas sim os funcionários do BdP em funções na altura. Ou os 1700 gajos bem pagos, com muito simpáticas “regalias”, com horários até às 17h (este é um pouco circunstancial) e que recebem o guito em causa para fazerem supervisão bancária, não têm nada a ver com o assunto?
    Pode-se dizer – com bastante acerto – que a polícia não é responsável pelos crimes dos assaltantes. Mas se um alarme estiver a tocar a noite toda al lado da esquadra e de manhã descobrem a casa assaltada, creio que não se pode dizer que a polícia “cumpriu”.
    E o caso do BPN , acima de tudo, um caso de falha de supervisão absolutamente … enfim, difícil de explicar num país normal. A sua nacionalização à pressa e a colocação do processo debaixo do olho de amigos serviu para mandar o lixo para debaixo do tapete.
    E o povo é que paga…

    • luiscorujo diz:

      Mas esses 1700 gajos foram escolhas políticas e o papel do Cavaco não foi o de funcionário público. Continuo, tal como muitos, a suspeitar de “inside information” como a razão de ele e a filha terem vendido as ações da sociedade detentora do BPN e que a afundou, até porque nunca demonstrou uma atitude de transparência e o drama que fez como virgem ofendida não esclareceu nada..
      E sou o primeiro a dizer que o Vitor Constâncio e a equipa dele foram cegos [a alcunha toupeira assenta-lhe muito bem], mas os companheiros políticos de Cavaco que estavam à frente do SLN foram criminosos e continuam livres, e até João Salgueiro (que foi o grande vencido no célebre congresso da Fig. da Foz, em que se fez a rodagem ao carro), como presidente da APB, foi coniventes com o crime.
      Sim. o banco deveria ter ido à falência e os acionistas que pagassem, já que é o risco por investirem no mercado financeiro. Mas parece-me que Sócrates queria usar isto para tentar apaziguar os barões do PSD, ou para mediatizar isto e livrar-se dos ataques que lhe estavam a ser feitos.
      São de facto muitas conjunturas, e muitas coisas não provadas, mas quando não hà transparência e existe conluio entre a política e a finança…nós, os pobres e os desempregados é que arcamos com as culpas e os custos das masturbações dos colarinhos brancos.

  2. ruibrandao diz:

    Olá Luís,

    O nosso querido SNS – que, desde já digo ser uma boa ideia existir – tem alimentado muita gente ao longo dos anos. Muita gente mesmo, com muito dinheiro de legalidade duvidosa e moralidade ainda menor, a ser encaminhado para interesses particulares e corporativos. Sempre se lutou contra qualquer gestão racional do SNS. Agora que a sobreutilização dos recursos se debateu com uma realidade de falta deles (não muito vulgo, when the shit hits the fan) começou a “destruição do SNS”. Claro que começou, porque na forma actual é insustentável e um tremendo desperdício. E, voltando ao início, porque, de facto, muita gente se alimentou e vive dele.
    Este processo começou com o Correia de Campos e está a ter a sua ampliação e continuação. Certamente muita contestação ainda virá por aí.

    Quanto à educação, professores com horáro zero e turmas “cheias” podem ocorrer por vários motivos – o primeiro é que pode ser legalmente ou politicamente impossível despedir (ou, numa linguagem mais suave, dispensar) esses professores “a mais” (nota: em 2009 tínhamos o dobro de professores por aluno da média da OCDE e o mais elevado número dos países membro da organização – ou seja “do mundo”). Sendo que, os professores de “horário zero” podem não ser necessariamente aqueles que leccionam as disciplinas para as quais existiria procura.

    Mas, começando pelo princípio do tema, não existem correlações significativas entre a dimensão da turma e o desempenho escolar/aquisição de conhecimento (estudos da OCDE). Depois, creio que o número máximo (salvo alguma excepção) é de 30 alunos, que, acredita, é bem menos que o dobro do máximo recomendável (só se acharmos que todos os nossos aluno são “especiais”). O tamanho das turmas tem mais impactos sobre os docentes do que sobre a aprendizagem.

    Já agora, desde quando o Governo paga mais aos bancos que aos FPs? É que nem o buraco do BPN (muito cortesia de funcionários públicos, mas dos que são promovidos pela … que fazem) equivale a um aninho de salários da FP… (nem de perto, nem de longe). É a crise culpa da FP? Não só, mas também. Muitos outros andaram a assobiar para o lado durante estes anos todos. A FP (e “conexos”) ajudou, mas foi mais o cúmplice que recebe uma comissão, não o gatuno que assalta a casa.

    Ab 🙂

    • luiscorujo diz:

      Eu não quis colocar o spoiler logo, mas todas as alíneas foram feitas com base nas parangonas dos jornais e nos “cartazes” que tenho visto este Verão. Como disse, estava sem inspiração, pelo que me limitei a copiar a informação, sem a verificar.

      No caso das turmas, posso falar um pouco de cátedra, porque já dei aulas em liceus e colégios e é difícil um professor conseguir dar atenção a todos os alunos: os que têm mais dificuldades, os que querem avançar, o programa que tem que ser cumprido e o ramerame da burocracia. Numa turma de 30 alunos perdes quase 20 minutos a fazer a chamada e a escrever o sumário, partindo do principio que é tudo muito “ordeiro” e simpático. Entre realmente ensinar e despejar matéria, entre criar condições para que se transformem em cidadãos do mundo ou simples amorfos formatados pelas várias vagas de eduquês, quem perde são os alunos, as futuras gerações, por consequência o país e as gerações (mais novas e mais velhas) que deles vão depender.

      Não consigo compreender o que têm os funcionários públicos haver com o buraco do BPN, assumindo que só o Cavaco Silva foi realmente funcionário público (Banco de Portugal) e os outros eram ex-detentores de cargos políticos, logo fora da esfera da FP. Claro que na FP conheci verdadeiro energúmenos que não tinham espírito de serviço e que se via a milhas que o negócio que lhe interessava era outro, e também outros que puseram praticamente tudo de lado, para desempenhar e transformar os serviços ao cidadão e privados.

      Mas a sensação é sempre a mesma, meu caro: O Ocidente está em declínio. A Europa está em decadência. Os extremos da Europa é que estão a sofrer, mas o tempo do norte da europa também vai chegar. Só ainda não se nota porque não são governados por corruptos e incompetentes como nós. Economicamente sofrem de demasiadas regras que matam criatividade e possibilidade de abrir negócios. E as empresas fogem para sitios onde não tem de cumprir nada.
      Mas o verdadeiro problema é psicologico e cultural, e apenas se reflete no económico.
      Se ao menos se deixassem os academismos e os economicismos de lado e se começasse a ver as coisas como um todo…

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