Monthly Archives: Setembro 2012

A quem recorda os descobrimentos…

… lembre-se que os portugueses não serão os descendentes de quem fez os descobrimentos, mas os que não fizeram os descobrimentos – ou seja, dos que ficaram.
Os “que se foram” deixaram descendência pelo mundo fora. Não tanto por aqui.

Este país não é para novos…

Nem para quem produza.

O caminho de saída mais ou menos airosa era estreito, embora com uma bifurcação.

À medida que o tempo passa está cada vez mais estreito. E a bifurcação, uma ilusão.

Mas é o paradoxo da mudança: quem quer mudar, não tem poder. Quem tem poder, não quer mudar (para não perder o poder).

 

 

Sol na eira…

…e chuva no nabal

O Sr. João quer continuar a gastar o que gasta. O problema é que é mais do que ganha. O que fez com que contraísse umas dividas… e assinou umas letras que não sabe muito bem como irá pagar.

Sem mudar de emprego nem fazer horas extraordinárias, como há-de o Sr. João manter o seu nível de vida e até pagar as suas dívidas?

A primeira sugestão é pedir um aumento. Mas o patrão não lhe quer pagar mais.

Quid nunc?

A vontade do Povo

..E a interpretação política

Mário Soares declarou que o governo deveria ser substituído, porque era insustentável governar quando o povo estava na rua a gritar “vão-se embora”.

Desde já pedindo desculpa por dar realce (por pouco que seja) ao autor da frase, que melhor fica se ignorado (como alguns gerontes que por aí populam), acho curiosa a interpretação política da “vontade do povo”. Não que na manif de Sábado, 15, não se gritasse para o governo ir embora. Mas também se clamava- até diria que acima de tudo – para todo o sistema partidário e respectivos políticos irem para uma parte que o decoro me impede de reproduzir.

O que lembra uma certa reinterpretação do anúncio da Zon.

E també me lembra os comentários (de mau gosto é certo) que lamentam a perenidade de vida do ex PR em causa, queixando-se do custo das suas mordomias ao qual acresce uma fundação de difícil explicação.

Mas será a “arte” da política sublevar o que nos interessa, omitindo o resto? Ou seja, mentir eventualmente utilizando a verdade?

Ou apenas que a “vontade do povo” é algo muito importante e sacro… quando convém?

A lição Islandesa

A grande lição a retirar da crise islandesa, não é que o FMI tem boas ou más políticas, se a Grécia ou Portugal devem fazer o mesmo, ou até se os políticos devem ser julgados pelas barbaridades que fazem.

Não, a grande lição a retirar é que se as pessoas fazem parte dos problemas devem ser envolvidas na solução.

Algo que em Portugal sempre se evitou.

Algo que este governo não identificou como sendo pertinente.

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