A previsão do futuro

Os economistas têm dois problemas:

  • Conseguem ver com muito mais clareza as complicações do que as eventuais soluções. São pessimistas por profissão
  • Normalmente têm razão. Falham – ou não conseguem prever  – é em que altura é que tal sucederá

Se os economistas se limitassem a não perceber nada de nada ou genericamente tratar de coisas que são secundárias (tipo os filólogos ou os sociólogos), não havia grande problema – bastava ignorá-los. O problema é que às vezes têm razão – difícil é perceber antecipadamente quando. A posteriori é fácil.

Mas não é a única disciplina em que tal é complicado. A geologia – especificamente a sismologia – também não é muito dada a previsões acertadas. Existem probabilidades estatísiticas e séries temporais. Mas ser preciso é muito complicado.

Mas tal não impediu um tribunal italiano de condenar um grupo de cientistas à prisão, aparentemente por não terem previsto um sismo. Mesmo sem saber mais do processo – ao leve sabor da “pena” – é um absurdo. Até pensei que fosse em sítios mais obscurantistas em que o reino divino e o material são mais “próximos”. Tipo Irão ou Coreia do Norte. Mas não, foi em Itália.

Mas os sismologistas em Itália têm sempre uma solução: recomendar diariamente a evacuação integral do território, pois podem sempre ocorrer sismos.

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One thought on “A previsão do futuro

  1. luiscorujo diz:

    Epistimologicamente é preciso ver que a Ciência não explica tudo. Não pode! Ela está limitada aos limites da percepção humana.
    Face à aflição, houve que encontrar bodes expiatórios… Os sismólogos podem sempre recorrer.
    Mas a verdade é que a indignação face aos economistas prende-se com o facto de muitos deles acharem que têm uma visão completa e magistral, quando na verdade demonstram um austismo e asperguer no que se refere a todos os outros aspectos da sociedade, que são tão importantes quanto a economia. O que indigna é a mania do primado da economia, e as tentativas de a elevar a ciência exacta (econometria).
    E agora que enfureceste os filólogos e sociólogos, ao afirmar que tratam de coisas secundárias (não existem ciências secundárias ou auxiliares, todas têm a mesma importância e devem interrelacionar-se), tens noção que nada do que se estuda, se teoriza, se propõe, é absoluto, mas sim visões parcelares da realidade, fechadas por um discurso técnico, que nada ajuda o dia a dia do homem. E no entanto os cientistas são bem vistos e são colocados em cargos de responsabilidade. Mas tal não quer dizer que tenham a solução para os problemas, porque a realidade nunca se reduzirá a uma equação ou a um logaritmo. Falta a humildade e capacidade de anunciar os limites da ciência, e não tentar colocar a imagem demagógica dos Homens Providênciais!

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