Sucessão Geracional

Estando agora a ler a história da passagem de poder na China, fez-me pensar sobre a passagem de poder na Europa e também em Portugal.
Sabemos que a China tem um único partido e que a sucessão é geracional. No entanto, existem diversas facções e subfacções a concurso, a aguardar que o líder supremo e o politburo decidam quem o vai suceder.
Em Portugal percebemos que desde 1974 tivemos uma primeira geração de políticos, que baseavam a governação de acordo com a sua ideologia. Eram políticos que anteriormente eram profissionais liberais, pequenos e médios quadros, trabalhadores e mesmo ex-prisioneiros políticos. A segunda geração já se baseava em tecnocratas, essencialmente da economia e finanças públicas e ainda alguns académicos que baseavam a sua governação em teorias académicas e filosóficas. A terceira geração é representada pelos jotas, que singraram na carreira partidária e que a sua cosmovisão e governação se baseiam nos princípios que os levaram à ascensão dentro do partido, qual Cursus Honorum.
No caso da passagem de poder na Eurocracia de geração em geração, percebe-se que a primeira geração era Euroentusiástica, e que a Europa era um complexo sócio-cultural, cuja a economia e a política comuns deveria ser estimulada. A geração seguinte, procurou pôr em marcha todas as medidas possíveis para acelerar a integração. Fê-lo de forma cega, sem se precaver dos problemas do futuro. Tudo isto, porque completamente descompensados com a queda do muro de Berlim, deixaram de ter complexos ideológicos e, qual yuppies sem sentido da vida, sentiram o horror da incerteza na hora em que o Mundo mudou. Sem a inspiração da primeira geração, procuraram justificar a sua existência, alargando a União, forçando a moeda única e a liberalização.
A geração actual apenas herdou a tónica liberal, e o resultado está aí: Austeridade, tensões norte-sul, quebra de convergência, fim da visão de solidariedade inter-geracional, tudo em nome de teorias que degeneraram em catástrofe quando aplicadas noutros continentes.
A sucessão de eurocratas demonstra que ainda não aprendeu nada com a sucessão dos sinocratas. Para já, os nossos eurocratas não aprendem com os erros porque se fizerem asneira recebem um cargo melhor pago. Na China servem de bode expiatório para o chefe se safar de qualquer acusação.
Já em Portugal … a realidade é triste, não é?

Anúncios

GRITAR um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: