Category Archives: Cultura

Adeus Televisão

Relvas, António Borges e Passos Coelho pretendem acabar com a RTP 2 a Antena 3 e privatizar os restantes canais!
Assim termina o que para mim é o melhor canal em sinal aberto, aquele que permitia o seu público, heterogéneo e ecléctico, manter-se acima da linha de estultificação fornecida pelos restantes canais de sinal aberto. Porque era caro e o público era menos numeroso foi uma justificação. Curioso que aqui já não abordem a questão da ditadura da maioria, mas na plutocracia caciquista vigente, a palavra de Balsemão é lei, e os amigos de negócios da NewsHold, já forram os bolsos a Relvas, para se apoderarem dos canais e assim fazer a censura contra tudo o que fale de forma transparente acerca do regime cleptocrata vigente na República “Democrática” de Angola.
Quem também lucra com isso são a PT e a Zon, as quais fizeram lobby para tornar a TDT portuguesa numa ridicularia que nos envergonha, não só na Europa, mas em comparação a países como Marrocos e Argélia. Menos canais e menos variedade de conteúdos nos canais abertos, significa mais pessoas a irem para a Televisão paga (ou melhor, a manterem-se, porque com a crise, o número de clientes até deveria descer).
Finalmente a privatização do organismo que tutela o maior arquivo audiovisual de Portugal, vai certamente levar ao esbulho desse espólio que deveria ser considerado património nacional e conservado por instituições públicas com técnicos especializados.
É assim que os sucateiros vão vendendo, com lucro para si, património e memória e negam às minorias (e o mais curioso é a direita considerar que quem defende este ponto de vista é elitista!), formas de escapar ao cilindro esmagador da televisão do reality show e telenovela, que só diminuem e estupidificam quem só tem uma caixa mágica para ver e imaginar o mundo.

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S.João do Porto

“… S.João S. João dá cá um balão para eu brincar ….”

 

Mais um ano e mais uma festa de arromba no S. João do Porto, festa rija e de longa memória.

Sendo o fogo de artificio um dos momentos mais marcantes das festividades S. Joaninas aqui fica para mais tarde recordar, 15 minutos de puro espectáculo pirotécnico.

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Portugal ahhhhh Portugal

Não hoje não me apetece cascar na má gestão do País ou pelo menos naquilo que um leigo como eu nestas andanças politicas nacionais e internacionais acha que é gerir o País. Hoje apetece-me apenas dizer Portugal ahhhhh Portugal …. adoro este País com todos os seus defeitos, problemas e crises…. ha e também ha o futebol … força Portugal só precisamos de ganhar os proximos dois jogos á que manter a esperança.

Definitivamente não existe País como este, e eu gosto deste País que se chama Portugal …. Viva Portugal.

Sim sim admito sou 100% nacionalista …. ferrenho, ok tambem admito que tenho um monte de costelas Nortenhas :D.

JMV

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Interrogações

Ao contrário de Januário Torgal, não me surpreendem as chocantes palavras do Primeiro-ministro. No entanto concordo com a afirmação de que este governo trata o povo português como um “povo amestrado” que “devia estar no Jardim Zoológico”.
Se a “auto-estima e autoconfiança” for, facto, “ganha à medida que os resultados vão aparecendo”, estamos, desculpem a expressão, tramados. Basta ver os resultados que a religião do cientísmo  do Governo e da Troika que segue o New Consensus MacroEconomics, e sobre o qual João Galamba se debruçou no seu artigo Capitalismo Científico.
Desemprego, falências, austeridade, projectos de vida perdidos, depressão, indignação, revolta: tudo isto é convertido em números e variáveis encaixados em cálculos que têm que demonstrar estar corretos perante as teorias. NUNCA A TEORIA PODERIA ESTAR ERRADA. Sábios que, enquanto limpam os óculos para poderem ver melhor, não percepcionam a realidade. Quantos destes mitos científicos podiam ser desmontados, tal como se desmontou o Criacionismo? Quantas constantes e variáveis eles “se esquecem” de apreender ou interpretar? Vejamos o amanhã que nos venderam ontem com a “terceira vaga”: Mais tempo, é certo, mas por más causas (desemprego), e sem rendimentos, como esperam que consumamos, enfim, que funcione o capitalismo? Estará a Europa na vanguarda do Pós-capitalismo, agora que os países ditos em desenvolvimento estão a atingir o lugar de potências económicas (embora com base em estratégias não-liberais nem globalizadoras)?  Enquanto a classe média definha, assim como os valores da democracia são ridicularizados, os poderes nada transparentes, porque não eleitos, das tecnocracias, corporações profissionais e empresariais internacionais vão ditando as regras dos amanhãs (distópicos) que se levantam.
Diz o mesmo primeiro-ministro que vai “Limpar a casa”. Que medidas populistas estarão agora prontas a serem apresentadas, agora que o seu discurso aponta para os seus “resultados” das medidas tomadas por ele, numa óptica eleitoralista? Para já é fácil abafar as críticas internas e externas: na óptica do Pão e Circo, o Euro futebol e os Jogos Olímpicos vão preencher os ouvidos, quer se queira ou não. É até a altura ideal para puxar mais uns tapetes à sociedade, aos cidadãos portugueses. Com este descentrar das reais preocupações, com este gastos excessívos (compare-se o preço da estadia das várias seleções e veja que a seleção esbanja dinheiro que o Governo diz não ter para outras actividades desportivas, para apoio à juventude, para outras áreas da sociedade).
Depois deste Verão, será que veremos as PPP renegociadas a favor do Estado, a favor dos cidadãos e não das empresas?
Será que será aprovada e posta em ação legislação que permita anular este tipo de “contrato”, quando não é feito de boa fé para o bem do país, nem cumpre os requisitos definidos pelo Tribunal de Contas?
Será que serão dados mais poderes e mais meios para a actuação deste Tribunal?
Será que haverá autonomia das Entidades Reguladoras para acabar com monopólios e a concertação de preços?
Será que as Secretas serão redesenhadas, de forma a que não haja devassa da vida privada?
Será que, em nome da transparência, os governantes (como Relvas, Mota, etc.) e outros actores políticos com conflito de interesses (Borges) renunciam ou são afastados dos cargos?
Será que se criará um Tribunal sobre a Transparência e o conflito/declaração de interesses, com meios e poderes?
Será que o Mamute do MAMAOT e a Sec-Estado da Cultura vão ter dinheiro para pagar as indemnizações do cancelamento das obras que estão a destruir o Património Mundial que é o Douro Vinhateiro?
Será que se executarão medidas que protejam a liberdade de expressão, não só dos jornalistas, mas de quem, no âmbito do direito à indignação, se queira manifestar, sem receio de tiques típicos de Estados Policiais, que usam de violência e desinformação para manter sob vigilância e controlo quem não concorda com a Visão Oficial? Talvez quem apela ao silêncio, como o Reitor da Univ do Porto, deva ter aulas de psicologia, para tentar perceber que quem oculta a verdade, omitindo-a, é mentiroso, mesmo que chame a isso Gestão de Imagem e/ou Marketing. Suponho que o melhor Marketing e imagem que se pode dar de qualquer “produto” seja a verdade, pelo que deve sempre investir no melhoramento do mesmo. Neste caso no melhoramento do país, das instituições do Estado, da sociedade, dos cidadãos.

Aqui ficam estas interrogações, no meio de tantas outras, à espera de resposta nesta silly season!

A Tesouraria-Geral da Cultura

Quando Passos Coelho diz que a Cultura “não se mede pelo montante” atribuído no Orçamento, está a constatar um facto: o que não existe não é mensurável.
A cultura é um perigo para os governos porque torna os cidadãos exigentes e mais aptos a reconhecer os erros e tropelias da governação.
No caso da linha neoliberal defendida por este governo, a Cultura só não é compreendida, como é considerada como adversária da finança. Afinal investe-se em algo que não é palpável, que não é produzido, tal como os “produtos financeiros”. No entanto, pelo contrário, a rentabilidade do investimento em cultura não é passível de ser quantificável ou de indicar datas de vencimento de juro.

Isto da cultura é uma coisa feita por diletantes, cigarras que andam com guitarra na mão
sempre a festejar, mas que não são sérios porque não trabalham como formigas e não ganham dinheiro. Por isso andam também sempre de mão estendida a pedir dinheiro, os fundos: se não é o teatro, são os museus, se não é o cinema, são os cacos descobertos pelos arqueólogos.

A entrada de Francisco José Viegas em cena ainda veio tornar as coisas piores. Bom escritor na opinião de muitos, também é conhecido pela sua “cultura” enológica. Apesar de ter prometido que não haveria cortes cegos, executou logo o maior ao reduzir um minicostério para secretaria de estado, coisa pouca quando não há quem defenda a dama nas reuniões do conselho de ministros. Agilizou mais cortes com a criação da ACE que gere os Teatros Nacionais D.Maria II, S.Carlos, S.João, a Cinemateca Nacional (ou melhor, a Cinemateca de Lisboa) e a Companhia Nacional de Bailado.
Corta ainda com a Direção-Geral de Arquivos e a Direção-Geral do Livro e da Biblioteca, áreas muito diferenciadas e com focos muito díspares. Mas ainda não terminou: corta com o Instituto dos Museus e da Conservação e com o Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico, que agrega, juntamente com a Direção Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo, na Direção-Geral do Património Cultural. Mas afinal o que NÃO É património cultural? Já agora juntava tudo aqui, e podia extinguir igualmente a Secretaria de Estado. Principalmente quando esclarece que pretende atrair os privados para o apoio à cultura e envolver o Ministério da Economia em áreas como o património. Transparece daqui a futura tutela da cultura, a Economia, O mesmo que quer promover a venda de pasteis de nata no estrangeiro, quando efectivamente já se vendem pasteis de nata no estrangeiro.
Sobre o apoio dos privados a experiência aponta para a aposta numa cultura “oficial”, que não passa da cultura da elite do regime e na cultura “popular”, em que se confunde o popular com o espetáculo, o brejeiro, a cristalização do que as elites consideram ser o folklore uniformizado para consumo externo (e infelizmente também interno), revela a lamentável falta de perspectiva da centrifugadora lisboeta, da qual nem a maioria dos investigadores das área da etnologia, antropologia cultural e sociologia, se conseguem libertar.
E ao pensar no Ministério da Economia, lembro-me obviamente do conceito de “industrias culturais”. Não me vou debruçar (ainda) muito por aí, mas António Guerreiro, no Expresso, dá uma óptima visão acerca do assunto, que transcrevo de seguida

a noção de “indústria cultural” resulta de uma enorme “ilusão ótica” dos críticos da cultura. Porque não se trata de uma indústria que produz cultura, nem sequer de uma indústria que produz qualquer coisa; produzir não é o que lhe interessa, mas sim a mediação derivada, secundária ou terciária, do produto, fazendo-o passar por aquilo que ele não é. Se a palavra “indústria” encontra ainda o seu lugar, é para sugerir que é a consciência que é induzida, instilada, mediada e reproduzida – mas não produzida – industrialmente. Segundo esta conceção, chamar-lhe “indústria cultural” só serve para esconder e fazer parecer inócuas as consequências verdadeiramente “culturais” do funcionamento da indústria da consciência. E é isto que, como um laboratório, sem comparação com um supermercado – onde se explora um impulso e não uma consciência induzida –, nos mostram hoje as livrarias.

Daqui conclui-se que quando Passos Coelho afirma “que os domínios do espírito e da criatividade não pertencem a ninguém, e certamente não ao Estado.” E que “Ao Estado cabe”, explicou, “salvaguarda” a Cultura, “sem tentações paternalistas”, apoiando iniciativas públicas em “distintos equipamentos culturais disponíveis” e fomentando “iniciativas privadas”. Está simplesmente a dizer que querem espíritos vazios e pessoas pouco criativas, sem pensamento, para não saberem argumentar e perder tempo com coisas inúteis. Ao invés, o Estado serve somente para colocar a cultura numa redoma, protegida das pessoas, que querem tocar nas coisas sem lavarem as mãos. A Secretaria de Estado só foi criada para liquidar tudo o que possa ter valor. Afinal, a Cultura Portuguesa é coisa que não existe.

Nota breve: Pouco tempo antes de terminar esta crónica, o Público avançou com a notícia de que Viegas diz que Europa Criativa libertará entidades culturais da dependência de subsídios. O meu amigo Jorge Palinhos, rapidamente chegou às seguintes conclusões:
‎1) O programa Europa Criativa é um programa da União Europeia e, logo, público, a menos que Francisco José Viegas tenha promovido Durão Barroso é CEO;
2) A Europa Criativa obviamente destina-se a financiar programas de âmbito europeu, que passam ao lado de obras que reflictam e pensem especificidades culturais nacionais, logo, as mais relevantes para cada país;
3) É de mim ou o Secretário de Estado da Cultura está a anunciar a sua redundância no governo, que aliás já sabíamos, tendo em conta que tem tido a mesma utilidade que um jarrão chinês numa estrebaria?