Category Archives: Internacional

Coisas do Olimpo

Os heróis da era moderna
Apesar de não estar a seguir os JO de Londres com muita atenção, não deixa de ser impressionante a capacidade que as olimpíadas têm – através das suas figuras máximas – para atrair a atenção e capturar a imaginação e interesse das pessoas em geral.
Nomes como Michael Phelps e Usaim Bolt e respectivos feitos e expectativas tornam-se pontos de discussão, tais como virtudes e práticas associadas – desde o ocasional consumo de cannabis do Michael Phelps (coitado, a droga deu-lhe cabo da vida…) até à sua (suposta) dieta de 12 mil kc por dia (recomendação – não tentem imitá-lo, a não ser que queiram competir no Sumo).

Isto sem falar das polémicas à volta do doping (ou não) chinês que acompanham as braçadas triunfantes de Ye.

O físico e a imagem
Outra questão que é particularmente interessante é a variabilidade do tipo de físico entre as diferentes modalidades. Desde os esculturais nadadores (que fazem o pessoal a assistir sentirem-se uns Homer Simpsons), as ginástas de 35kg (algo de muito errado se passa aqui…), halteorofilistas estilo frigorífico sobre pernas até às concorrentes da final feminina de 10 mil metros, que me fizeram especular se a anorexia se tinha tornado um novo desporto olímpico.

Eu acho que já identifiquei o desporto adequado para o meu “body type” – tiro de carabina em posição deitada. Infelizmente a pontaria é que não é muita.

Mas, em geral, e não obstante o “delicioso” (e nem sempre pacífico) contributo das voleibolistas de praia, cujos.. calções.. são interessantes de se observar, o desporto olímpico parece estar muito mais alinhado com os ideiais masculinos de beleza que com os femininos. Vantagem delas…

Portugal no Olimpo

E finalmente tivémos uma medalhinha. De prata. Em canoagem. Desta não estavam à espera (eu também não).
Não obstante o brilhante desempenho de alguns atletas (ténis de mesa foi um exemplo), a pergunta fica – não faz mais que tempo que o tipo do COI seja posto a andar? Não foi o senhor em causa qeu apresentou a sua demissão (mais precisamente, não recandidatura) por falta de resultados em Beijing para a retirar passado pouco tempo em virtude do ouro do Nuno Delgado? (será que era o treinador do mesmo?). Com isto não digo que faz um bom ou mau trabalho (a minha opinião pouco fundamentada é que é mau), mas 16 anos é demais.

E finalmente, fica a pergunta: que queremos em termos desportivos? Trabalhar para as medalhas (dentro de alto rendimento, concentração em “disciplinas core”, migração do atletismo de fundo para disciplinas técnicas, … – em alternativa introduzir a bisca e outros “desportos nacionais” na lista olímpica), ou promover mais o desporto escolar e da população?

Os objectivos, podem dizer com bastante pertinência, não são antagónicos. Mas como descobrem as equipas de basquetebol que enfrentaram os EUA até agora “a manta é curta”… neste caso, o guito.

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Teoria maquievélica da crise do Euro – a pergunta

O que faz um país rico e central, com uma forte base industrial assente em elevado know-how e diferenciação qualitativa quando se depara com uma previsão demográfica e de qualificações correspondentes que implicam um certo declínio económico? Quando a única maneira visível de evitar esse declínio é importar de forma massiva pessoas qualificadas em áreas de engenharia e ciências – qualificações estão em défice em todo o mundo? E como atrair essas pessoas qualificadas de países “compatíveis” – não se querem mais “árabes”, tanto mais que estes raramente têm as qualificações desejadas? E tendo em conta que tem um clima mauzinho e uma língua irrascível (pelo menos a comparar com os seus congéneres mais solarengos)?

Ah pois…

 

 

Actualização: http://p3.publico.pt/actualidade/economia/3718/governo-alemao-cria-site-para-recrutar-no-mercado-global

Bamos lá…

…Cambada

É sempre um risco escrever antes das coisas, nomeadamente nas partidas de futebol. Previsões após o jogo são mais certeiras, mas mesmo assim arrisco dizer que quero que Portugal ganhe 🙂

Tenho de admitir que era dos poucos que achava que iríamos fazer boa figura – a derrota com a Turquia encheu-me de optimismo. Não, não estou a ser irónico, mas tenho a ideia que ganhar os jogos de preparação nem sempre é boa coisa, tal como perder não significa assim tanto.E sempre achei qe o jogo com a Turquia era um jogo para perder/com nada a ganhar.

Aliás, se não me falha a memória, Ivic, no ano em que treinou o Porto, não ganhou um jogo de preparação, o que não o impediu de bater o recorde de pontos de avanço num campeonato a dois pontos por vitória.Também não o impediu de praticar um futebol brutalmente aborrecido. A goleada da Holanda sobre a Irlanda do Norte também não significou coisa alguma – excepto talvez encher com ainda mais excesso de confiança a equipa laranja. E os anunciados finalistas / campeões europeus nem um pontinho tiveram para mostrar (e com a eventual excepção do jogo com a Dinamarca, nem um pontinho mereceram levar).

O que me leva ao jogo com a Espanha – são aborrecidos e eficazes. E o último jogo que lhes ganhámos com uns memoráveis 4-0 não significa nada. Agora “é a doer” e fica aqui um muito previsível estímulo adicional

Pessoalmente estou a ver se consigo organizar um outro tipo de Portugal-Espanha. De cariz vínico – talvez, se a sorte ajudar, um Pesquera Reserva 2007 vs Altas Quintas reserva (ou Quinta do Mouro). Desconfio que neste segundo desafio só haverá vencedores.

Mudando de assunto… temos pena, mas hoje não há mesmo outro assunto. A bola manda e o mundo obedece.

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Há uma linha que separa… o risco e a irresponsabilidade

A “cultura de risco” apregoada pelo primeiro-ministro já à muito que faz parte da sociedade portuguesa. Aliás, os comportamentos de risco são o dia-a-dia daqueles que não usam preservativo nas relações sexuais, dos que trocam seringas para o chuto e… também para os políticos, governantes e administradores de empresas públicas e privadas que vivem dependentes das tenças públicas e projecto estatais. Em Portugal, na Grécia, Espanha, Irlanda, Islândia, Estados Unidos, etc. muito se arriscou e se perdeu. O resultado é o mesmo: toxicidade, seja este financeiro ou biológico, o custo é sempre uma sobre carga para a sociedade, para o conjunto daqueles que, direta ou indiretamente, vão ter que pagar por estes riscos, mesmo que não tenha sido responsável por eles. Em muitos destes casos, não são os que arriscam, os chamados “empreendedores”, que acabam por pagar, como se tem visto. Outros, no entanto, são os responsáveis morais, os aliciadores que fornecem bens, estupefacientes, engenharia financeira, a troco de “experiências de outro mundo”, promessas de futura riqueza rápida, votos fáceis, sabendo que os aliciados não têm como pagar se quiserem respeitar limites de endividamento e honrar compromissos.
A Responsabilidade Social e o bem e interesse públicos não são tidos em conta e o turbilhão que se sente desde que a crise da exposição à dívida estoirou e tem contagiado países periféricos e centrais, e leva ao aprofundar da cultura de risco: novos riscos surgem do desemprego, da fome, dos desalojados, do aumento dos impostos sobre os bens de consumo e transportes, do aumento dos custos de saúde, da desmontagem dos Serviços  Nacionais de Saúde e da Segurança Social, privatização de recursos naturais e estratégicos, deslocalização de centros de decisão, limitações e elitização económica (e não meritocrática) do ensino/educação, desinvestimento na investigação científica e na cultura humanística como contraponto à forte tecnocratização económica, etc. Os riscos de daqui decorrem são obviamente o empobrecimento, menos consumo, menos produção, explosão (ou implosão?) social, violência e criminalidade, extremismo e populismo, tudo condições propícias para conduzir a Democracia e Cidadãos para um “Animal Farm” e posterior “1984” Orwelianos e um “Brave New World” Huxleyiano.
E depois, tal como a citação atribuída a Martin Niemöller, no fim ninguém estará cá para a defender, para defender os nossos direitos como cidadãos, para nos defender a nós. E isto com a desculpa de que não sabiam, que não sabíamos qual o resultado, que ia dar nisto, ou na versão Vitor Constâncio, ex-governador do Banco de Portugal e actual vice-presidente do Banco Central Europeu, que deve sofrer de ambliopia intelectual ou profissional (sem desrespeito para os doentes portadores de ambliopia, e que, tenho a certeza, conseguem “ver como é que a festa ia acabar”), que “era impossível calcular custos da nacionalização em 2008”, e que, sabendo das irregularidades contabilísticas do BPN, não actuou como responsável máximo pela regulação e supervisão do sistema bancário português, e como cidadão.

Há uma linha que separa o risco e a  irresponsabilidade. E eu posso explicar como demarcar essa linha, Senhores políticos, economistas, econometristas, académicos, empreendedores  e outros Vitores Constâncios e Pôncios Pilatos desta vida, que lavam as mãos dos problemas e caos que causam pela sua actuação ou inacção. As palavras mágicas são: “Avaliação de Risco”. Esta Avaliação de Risco (vão googlar ” Risk Assessment”) permite a gestão de risco e deve fazer parte da trajetória para a transparência e da confiabilidade dos cidadãos, beneficiários e clientes (que são “Stakeholders” mais importantes dos que os acionistas, pois sem eles qualquer [processo de] negócio deixa de fazer sentido) nas instituições públicas e privadas conscienciosas. Esta avaliação de risco permite verificar se os recursos estão bem investidos e posicionados para o sucesso, facilita a gestão e alocação de recursos e conhecimento da gravidade dos riscos. Tal criará condições para estabelecer e alcançar metas quantificáveis, facilitando o desenvolvimento contínuo de todos os aspectos da actividade organizacional.
Estabelecer o contexto interno e externo (mandato, funções, enquadramento regulatório e de políticas, actividades, recursos/bens/meios, e os detentores/responsáveis/gestores), identificar, analisar, avaliar, tratar, monitorizar e comunicar os riscos às partes interessadas (os stakeholders do parágrafo anterior).

Sabendo quais os riscos, a sua probabilidade de ocorrência e o seu impacto, leva a definir medidas para detecção e melhores estratégias para prevenção,  tratamento, mitigação ou  mesmo evitar riscos. Comunicando este conhecimento aos cidadãos, estes estariam preparados para uma tomada de decisão informada, seja como eleitores, beneficiários ou consumidores, de acordo com a sua vontade de aceitar riscos, tolerância ao risco ou apetite pelo risco, o que seria benéfico  em termos participativos.

Não é a mezinha ou a salvação do mundo, mas usada conscenciosamente, permite em primeiro lugar, quebrar o marasmo da inacção e da aplicação de teorias económicas baseadas em ideologias, logo duplamente desmerecedoras de aplicação; em segundo lugar, apresentar de forma clara e transparente a situação e os riscos dele recorrentes; em terceiro, fornecer estratégias com medidas que realmente possam solucionar o problema; quarto lugar, permitir aos cidadãos decidir acerca das estratégias  a aplicar.

Há uma linha que separa… a teoria da prática: a experimentação e prova
Há uma linha que separa… a ideologia da aplicação: o pragmatismo e conciliação
Há uma linha que separa… o populismo da democracia: participação e representatividade
Há  uma  linha que separa… a utopia da realidade: visão e vontade

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