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A cruel lei dos números, parte 1

“Bring me facts, not opinions”, dizia um conhecido presidente americano aos seus assessores.

Educação

Números:

Em 2009 Portugal tinha, no ensino secundário, 7,7 alunos por professor (dados da OCDE), o valor mais baixo deste rácio em todos os países analisados – o que significará no mundo. A média da OCDE era de 13.5 e do G20 de 15,4.

Em 2011 Portugal tinha cerca de 1 milhão de habitantes no escalão etário dos 0 aos 9 anos (inclusive), o que representa uma quebra de cerca de 7% face aos dados de apenas 2 anos antes (1,080) (dados da Pordata). A tendência é de clara diminuição da natalidade.

Em 2009, um professor do secundário em meio de carreira (15 anos) em Portugal ganha cerca de 20% acima da média dos profissionais equivalentes (qualificação/experiência). Trata-se de um dos poucos países onde tal acontece – normalmente os professores ganham abaixo a média.

Opiniões, análise e outras interpretações:

O desemprego estrutural nos professores do secundário vai aumentar de forma muito significativa. E sem perspectivas de melhoria.

Não parece viável que um economia aberta e falida como a portuguesa consiga sustentar ineficiências desta magnitude via emprego artificial. Pelo menos não ao nível relativo de rendimento a que estamos a falar e sendo as nossas contas nacionais o que são.

Trata-se de uma tragédia a nível das pessoas envolvidas e, tendo em conta os números, diria com efeitos mais latos. Pessoas que podem ver as as suas legítimas expectativas de vida goradas e encaminhadas para, se não um beco sem saída, pelo menos uma rua bem estreita.

Chegámos aqui porque para além de ser uma saída profissional vista como “tranquila”, as políticas públicas mantiveram, durante demasiado tempo, falso emprego (professors nos sindicatos afull time, organização das escolas, dulicação de recursos, …) e os incentivos para que as pessoas tomassem a docência profissional (atenção, não estou adizer que ser professor no secundário é “boa vida”). E, sendo as Universidades essencialmente financiadas pelo nossos impostos, também poderia ter tido uma acção mais proactiva em termos de profissionais na área.

O termo desemprego industrial vem à cabeça. Muitas pessoas até podem estar pouco familiarizadas com a realidade do termo, em virtude da escassa industrialização do país e do facto de termos a tendência de sermos PPTO (aka flexíveis/desenrascanço), mas essencialmente caracteriza-se por um número significativo de profissionais serem especializados numa indústria que desapareceu ou cujo nível de emprego sobe uma súbita e grande redução, ficando estas pessoas sem perspectivas de voltarem a obter um emprego na sua profissão (pelo menos no seu país).

Espero que as pessoas afectadas (actuais e prospectivos professores) consigam reagir e, usando uma palavra não muito bonita, reconverter-se. Mas espero que os decisores públicos e os portugueses resistam à tentação do “não se passa nada ” e retomem as políticas e decisões que nos fizeram chegar aqui. Porque são de difícil sustentabilidade para um povo já bastante sobrecarregado.

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Adeus Televisão

Relvas, António Borges e Passos Coelho pretendem acabar com a RTP 2 a Antena 3 e privatizar os restantes canais!
Assim termina o que para mim é o melhor canal em sinal aberto, aquele que permitia o seu público, heterogéneo e ecléctico, manter-se acima da linha de estultificação fornecida pelos restantes canais de sinal aberto. Porque era caro e o público era menos numeroso foi uma justificação. Curioso que aqui já não abordem a questão da ditadura da maioria, mas na plutocracia caciquista vigente, a palavra de Balsemão é lei, e os amigos de negócios da NewsHold, já forram os bolsos a Relvas, para se apoderarem dos canais e assim fazer a censura contra tudo o que fale de forma transparente acerca do regime cleptocrata vigente na República “Democrática” de Angola.
Quem também lucra com isso são a PT e a Zon, as quais fizeram lobby para tornar a TDT portuguesa numa ridicularia que nos envergonha, não só na Europa, mas em comparação a países como Marrocos e Argélia. Menos canais e menos variedade de conteúdos nos canais abertos, significa mais pessoas a irem para a Televisão paga (ou melhor, a manterem-se, porque com a crise, o número de clientes até deveria descer).
Finalmente a privatização do organismo que tutela o maior arquivo audiovisual de Portugal, vai certamente levar ao esbulho desse espólio que deveria ser considerado património nacional e conservado por instituições públicas com técnicos especializados.
É assim que os sucateiros vão vendendo, com lucro para si, património e memória e negam às minorias (e o mais curioso é a direita considerar que quem defende este ponto de vista é elitista!), formas de escapar ao cilindro esmagador da televisão do reality show e telenovela, que só diminuem e estupidificam quem só tem uma caixa mágica para ver e imaginar o mundo.

Coisas do Olimpo

Os heróis da era moderna
Apesar de não estar a seguir os JO de Londres com muita atenção, não deixa de ser impressionante a capacidade que as olimpíadas têm – através das suas figuras máximas – para atrair a atenção e capturar a imaginação e interesse das pessoas em geral.
Nomes como Michael Phelps e Usaim Bolt e respectivos feitos e expectativas tornam-se pontos de discussão, tais como virtudes e práticas associadas – desde o ocasional consumo de cannabis do Michael Phelps (coitado, a droga deu-lhe cabo da vida…) até à sua (suposta) dieta de 12 mil kc por dia (recomendação – não tentem imitá-lo, a não ser que queiram competir no Sumo).

Isto sem falar das polémicas à volta do doping (ou não) chinês que acompanham as braçadas triunfantes de Ye.

O físico e a imagem
Outra questão que é particularmente interessante é a variabilidade do tipo de físico entre as diferentes modalidades. Desde os esculturais nadadores (que fazem o pessoal a assistir sentirem-se uns Homer Simpsons), as ginástas de 35kg (algo de muito errado se passa aqui…), halteorofilistas estilo frigorífico sobre pernas até às concorrentes da final feminina de 10 mil metros, que me fizeram especular se a anorexia se tinha tornado um novo desporto olímpico.

Eu acho que já identifiquei o desporto adequado para o meu “body type” – tiro de carabina em posição deitada. Infelizmente a pontaria é que não é muita.

Mas, em geral, e não obstante o “delicioso” (e nem sempre pacífico) contributo das voleibolistas de praia, cujos.. calções.. são interessantes de se observar, o desporto olímpico parece estar muito mais alinhado com os ideiais masculinos de beleza que com os femininos. Vantagem delas…

Portugal no Olimpo

E finalmente tivémos uma medalhinha. De prata. Em canoagem. Desta não estavam à espera (eu também não).
Não obstante o brilhante desempenho de alguns atletas (ténis de mesa foi um exemplo), a pergunta fica – não faz mais que tempo que o tipo do COI seja posto a andar? Não foi o senhor em causa qeu apresentou a sua demissão (mais precisamente, não recandidatura) por falta de resultados em Beijing para a retirar passado pouco tempo em virtude do ouro do Nuno Delgado? (será que era o treinador do mesmo?). Com isto não digo que faz um bom ou mau trabalho (a minha opinião pouco fundamentada é que é mau), mas 16 anos é demais.

E finalmente, fica a pergunta: que queremos em termos desportivos? Trabalhar para as medalhas (dentro de alto rendimento, concentração em “disciplinas core”, migração do atletismo de fundo para disciplinas técnicas, … – em alternativa introduzir a bisca e outros “desportos nacionais” na lista olímpica), ou promover mais o desporto escolar e da população?

Os objectivos, podem dizer com bastante pertinência, não são antagónicos. Mas como descobrem as equipas de basquetebol que enfrentaram os EUA até agora “a manta é curta”… neste caso, o guito.

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Voluntariado Obrigatório

A nova ideia, tornada legislação, que obriga os beneficiários do RSI a efectuarem trabalho voluntário é uma contradição em termos:

Em primeiro lugar o conceito de voluntariado implica um carácter não obrigatório, o que vai logo contra o que a medida pretende aplicar
Em segundo lugar, se existe trabalho para estes benificiários efectuarem como “voluntários obrigados”, porque é que simplesmente não os empregam para esse trabalho, deixando de auferir o RSI e passando a receber um salário condigno com a função, com todas os direitos, deveres e regalias?
Em terceiro lugar, com a taxa de desemprego oficial, e na qual muitos não estão incluídos (emprego sazonal, os trabalhadores precários a recibo verde, etc.), seria mais compreensível que transformassem estes trabalhos, estas funções e actividades, em empregos oficiais e que contratassem… desempregados!
Em quarto lugar, ao efectuarem estes trabalho, estão a ser víctimas de esclavagismo encapotado, porque não estão cobertos pelo Direito Laboral e auferem um rendimento inferior ao Salário Mínimo Nacional.
Em quinto lugar, o aproveitamento da visão populista de que quem vive à custa de “farto dinheiro” do RSI e fundo de desemprego são uns “preguiçosos e relaxados”, quando na verdade, são obrigados a terem a vida privada devassada, a não terem sigilo bancário, a fazerem prova de que são doentes e pobres e, finalmente, trabalharem praticamente de graça. Em vez de lançar estes chavões demagógicos, deveriam investigar se existem de facto fraudes ou situações irregulares. E tal obriga a exercer mais vigilância, indo a campo e não se limitar ao conteúdo burocrático, muitas vezes difícil de adequar à realidade dos factos, potenciar o trabalho dos técnicos de inserção e melhorar a formação dos beneficiários.

Como diz Daniel Sampaio ” O RSI insere-se na tentativa de obter mais justiça social. Em muitas sociedades, o distanciamento entre os mais ricos e os mais pobres não pára de aumentar. A classe dominante aumenta os seus privilégios de lucro, influência e poder, enquanto milhares de cidadãos empobrecem. Muitos destes pobres constituem grupos sociais que não têm capacidade de mobilização social e não conseguem lutar pelos seus direitos. A liberdade, tão apregoada por muitos políticos, não está presente em todas as esferas da vida de muitos portugueses. A dignidade do quotidiano é crucial para que alguém se possa sentir livre, por isso muitos pobres não sentem a liberdade: a sua vida de exclusão, ao dificultar o acesso a questões básicas de vida como a comida, a habitação e a integridade física, impede que se tornem cidadãos de pleno direito.” Assim. “O paradigma do RSI opõe-se ao “assistencialismo” mais básico. Procura a participação activa de muitos que, de outra forma, tenderiam a reduzir-se à situação de “assistidos”. O objectivo é não só apoiar, mas também o de capacitar e de inserir.

Esta ideia de justiça social, dos direitos sociais, prende-se com a igualdade de cidadania, e nesse sentido, o papel do RSI é o de proteger os cidadãos em grave carência económica, não só com prestação monetária, mas também com ações de inserção social. E que melhor forma de inserção social do que um emprego que dê valorização ao cidadão, um salário que permita afastar-se da situaçaõ de carência económica, e perspectivas de ascenção sócio-profissional? Assim o RSI deixaria de ser necessário.

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